AMARC Brasil
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Histórico AMARC-Brasil

A Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC) foi fundada em agosto de 1983, quando 600 radialistas de 36 países se reuniram em Montreal, Canadá, por ocasião do Ano Internacional das Comunicações, promovido pela Organização das Nações Unidas. Desde então, AMARC tem se consolidado como uma associação de coordenação e promoção das rádios comunitárias de todo o mundo, e é reconhecida como Organismo Não-Governamental Internacional (ONGI), de caráter laico e sem fins-lucrativos. Atualmente, são 3000 entidades associadas a AMARC, que se encontram em 106 países de todos os continentes.

No Brasil, a AMARC iniciou seu trabalho pela militância do jornalista e radialista Marcus Aurélio de Carvalho, que em janeiro de 1995 inicia a pró-UNIRR, ong com sede no Rio de Janeiro, que seria criada para atuar com capacitação em rádio e, entre outras atribuições, fomentar e consolidar a AMARC no país. Em um ano, AMARC aumenta de 06 para 22 o seu número de associados(as). Em março do ano seguinte, 21 entidades e rádios - sendo 11 com direito à voto - fundam a UNIRR em Assembléia Geral, no Rio de Janeiro. Este é o I Encontro de Sócios(as) da UNIRR-AMARC. Em maio de 1997, em Ouro Preto, aconteceu o II Encontro de Sócios(as) da UNIRR-AMARC, com o nome "Radioapaixonados pela Democracia". O encontro é promovido pela UNIRR, com apoio da ONG ÂNIMA, de Belo Horizonte, e da Rádio AZAV, de Viçosa. A participação é de 60 pessoas de todo o país, 22 delas com direito a voto, como associados(as) da AMARC. Neste evento, Denise Viola, da associada CEMINA, é eleita representante da AMARC para a Rede de Mulheres. Marcus Aurélio é confirmado como Representante Nacional. É eleito também um conselho gestor para a UNIRR e a AMARC. A UNIRR reafirma, em plenário, o seu reconhecimento da ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) como entidade nacional de representação das rádios comunitárias.

Com o apoio e organização da OBORÉ - Projetos Especiais - UNIRR e AMARC realizam o III Encontro Nacional de Sócios(as) - "Radioapaixonados Pelos Ouvintes", em junho de 1999. O encontro recebeu mais de 80 pessoas, representando do Amapá ao Rio Grande do Sul; a AMARC já contava com 41 associados(as). Estiveram presentes 29 sócios(as) com direito a voto. É eleito o novo Conselho Político da AMARC no Brasil e Valéria Mendonça é escolhida como nova coordenadora geral da UNIRR, substituindo Marcus Aurélio. Marcus é mantido, no entanto, no cargo de Representante Nacional da AMARC por mais dois anos. Neste encontro, a OBORÉ se torna o escritório paulista da AMARC NO Brasil.

Em julho de 2000, Marcus Aurélio é eleito para o cargo de Vice-presidente da AMARC-ALC. Antecipadamente, deixa o cargo de Representante Nacional, para que não haja sobreposição de cargos. Marcus e Valéria (coordenadora da UNIRR) começam a animar a eleição do(a) novo(a) representante da AMARC no Brasil.

Taís Ladeira, fundadora da Rádio Revolução FM, é eleita, por ampla maioria de votos, a nova representante da AMARC no Brasil, em abril de 2001. Apesar de contar com a credibilidade de seus(suas) associados(as) e de entidades parceiras, a AMARC no Brasil sofre as conseqüências de uma crise institucional, política e econômica que se acentua internacionalmente, e em especial na América Latina e Caribe (ALC). Ainda assim, os(as) representantes nacionais latino-americanos(as) e caribenhos realizam, em fevereiro de 2002, seu encontro anual em Quito, Equador (então sede da AMARC-ALC) e lançam as bases para um processo de refundação da AMARC latino-americana e caribenha. Entre os pontos chaves desse processo estão a descentralização da AMARC, por meio do fortalecimento de suas sub-regiões, a democratização da estrutura político-institucional da Associação e a orientação de suas ações a partir das reais demandas de seus(suas) associados(as). Em junho de 2002, por proposta de Taís Ladeira e Gustavo Gomes (na época coordenador regional da AMARC-ALC) e para garantir a mais completa autonomia da AMARC no Brasil, a UNIRR se prontifica a deixar de ser o escritório da AMARC no país. A ONG seguirá apoiando a missão da AMARC pela total afinidade com suas idéias.

Por outro lado, AMARC-Brasil fica temporariamente sem sede e infra-estrutura para animar a rede de associados(as) nacionais. Mas os trabalhos institucionais continuam. Por meio de parcerias AMARC-Brasil promoveu e apoiou uma série de ações, entre elas a Campanha Nacional do Plesbiscito sobre a ALCA, inúmeros eventos promovidos por suas associadas e outras entidades, manifestações em defesa às rádios lacradas pela ANATEL e o Seminário Nacional de Legislação e Direito à Comunicação.

A AMARC-Brasil se mantém com 51 associados(as) de todo Brasil, sendo a maioria emissoras comunitárias, seguidas de produtoras de rádio, redes e pessoas físicas.

Em fevereiro de 2003 associados(as) de todo mundo se encontram em Katmandu, no Nepal, na 8ª Assembléia Mundial da AMARC. A América Latina e Caribe esteve presente com uma delegação de 07 pessoas, representando as sub-regiões da AMARC-ALC, entre elas o Brasil. Neste encontro, ficou clara a necessidade de intensificar o processo de refundação e redemocratizar da AMARC, e que o continente latino-americano e caribenho estava adiante dos demais continentes nesta importante ação.

Em julho de 2003, acontece em Manágua, Nicarágua, mais um encontro latino-americano e caribenho dos(as) representantes nacionais. A sub-região Brasil participa de forma ativa e propositiva deste encontro, e define coletiva e democraticamente muitos pontos balizadores da nossa atuação futura: 1) articular a AMARC-ALC em níveis nacional, regional, sub-regional, internacional; 2) reconhecer quem somos, e trabalhar o sentido de pertencimento e identidade junto aos(às) associados(as); 3) resignificar o conceito de "redes" e fortalecê-las; 4) incluir no seu quadro de associados(as) outros meios alternativos, tele-centros, TVs, rádios, centros de produção, redes, pessoas que trabalham pela democratização da comunicação, jornalistas, investigadores, jornais, revistas, agências de notícias; 5) estreitar relação com outros movimentos sociais; 6) fazer compreender que os meios de comunicação comunitários e cidadãos constituem um movimento social, que tem seu próprio sentido; não sendo meros instrumentos de caráter promocional; 7) definir o conceito de participação social nos meios de comunicação; 8) iniciar processo de renovação dos estatutos da entidade.

AMARC América Latina e Caribe, constituída por suas sub-regiões (entre elas, o Brasil), tem atuado, também, no fortalecimento de seus programas de ação, em especial no Programa de Legislação e Direito à Comunicação e no Programa de Gestão. Ainda há programas relacionados à capacitação, produção radiofônica, gênero (Rede de Mulheres da AMARC), novas tecnologias, intercâmbio e produção de informação (Agência Púlsar). Em constante sintonia com outras entidades de apoio às rádios comunitárias, AMARC-ALC iniciou aproximação com a Associação Latino-americana de Educação Radiofônica (ALER). Por identificar uma série de ações em comum, que podem ser potencializadas por uma possível ação conjunta, AMARC e ALER consolidaram esta aproximação em um projeto, discutido e formatado ao longo de 2002.

Programa Conjunto ALER e AMARC

A Associação Latino-americana de Educação Radiofônica (ALER) atua há 28 anos no continente e tem sede em Quito, Equador. Suas áreas de trabalho são a produção radiofônica, capacitação, investigação, acesso às tecnologias, sustentabilidade e intercâmbio. A atuação da ALER junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s) no nordeste brasileiro, na década de 60, é lembrada até hoje como grande responsável pela instalação de inúmeras rádios comunitárias, principalmente com alto-falantes, que prestaram um trabalho singular àquela região. Rádios essas que anos mais tarde inspirou a organização de tantas outras emissoras igualmente comunitárias, agora em FM. Em dezembro de 2002, foi formulado um Programa Conjunto em Gestão Integral das Rádios, que potencie os planos de ação das redes nacionais de ALER e AMARC. Por este plano, e com o apoio de CAF e CMC - agências de cooperação holandesas -, ALER e AMARC se comprometem a trabalhar pela qualidade do Programa Conjunto, cooperando entre si na elaboração, apoiando sua implementação, seu monitoramento, sua avaliação e sistematizando estas experiências de modo a garantir uma permanente troca de conhecimentos na América Latina e Caribe.

O Programa Conjunto já teve início na América Central, com resultados muito positivos. Agora, o Programa propõe um "giro" (em espanhol, gira) pelos países de outras sub-regiões da América Latina. Esta visita, a fim de traçar um diagnóstico mais fidedigno da atual situação das emissoras dos países escolhidos, foi batizada de "Ritmo Sul". Os países escolhidos são: Equador, Bolívia, Peru, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Colômbia, República Dominicana, México e Brasil.

 
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